sábado, 21 de maio de 2016

Crónica: quanto pior, melhor!

por Carlos Bonaparte

Eu ainda sou do tempo em que havia vários blogs de música portuguesa onde se podia fazer donwload das músicas e dos discos. Ou como se diz na gíria, sou do tempo da pirataria lusa.
Na verdade o que muitos blogs proporcionavam era o livre acesso à música. Entretanto, artistas e editoras opuseram-se firmemente a esta livre distribuição, tanto cá como lá fora, a tal ponto que encenaram uma mirabulástica detenção do fundador do Megaupload, que hoje presta um serviço mais ou menos ao que já detinha antes, mas adaptado aos tempos modernos; entretanto o Bandcamp saiu à frente do Megabox, enquanto o fundador do Megaupload estava detido. Eu continuo a achar que o problema não foi o Megaupload, mas o trabalho independente que aí vinha com os artistas.
Entretanto em Portugal fez-se uma caça ao livre acesso à música. Já sem Sol Música Portugal, Made In Portugal, Os Reis da Música Nacional e sem grande parte das rádios locais que havia nos anos 2000, ficamos agora com um brilhante livre acesso à música portuguesa. A estrangeira continua a fazer-se ouvir, a portuguesa, nem por isso. E logo na altura em que começaram a surgir grupos como os UltraLeve, Deolinda, e artistas como Ana Moura. Resta-nos os eternos: Rui Veloso, Fausto, Jorge Palma, Sérgio Godinho, que infelizmente vão morrer um dia, como humanos que são, mas são, ainda hoje, referências principais da música portuguesa. Poderia perguntar porquê, mas seria pouco inteligente da minha parte já que a resposta é simples: propositadamente, asfixiaram-se músicas, artistas, êxitos, a troco de cêntimos para uns, euros para outros. Até a Sociedade Independente de Comunicação (SIC) decidiu terminar com o seu programa da tarde; menos música portuguesa na televisão, embora os programas de domingo à tarde tenham ficado conhecidos nacionalmente por trazerem sempre os mesmos artistas de lusokizomba, e as mesmas artistas sem roupa, ou quase.
Depois aparecem, de quando em quando, alguns blogs de música portuguesa, que logo são fechados a troco desses euros (não para os donos dos respetivos que são intimidados com ameaças legais), e ficamos com a clara sensação de que a música portuguesa é riquíssima, nos géneros, na linguagem, nos nomes que aparecem e desaparecem porque ao fim de 1 ou 2 discos descobrem que não dá; porque muitos, mesmo que apareçam no "Viva à Música" da Antena 1, não conseguem sobreviver porque, o público que ouve este nobre programa de Armando Carvalheda ou mesmo a Antena 1 em geral, é bastante reduzido comparando com a população portuguesa.
Eu sei: temos Marisa Lis que às tantas já nem sabemos bem se ainda é dos Amor Electro ou se canta a solo, temos a Gisela João, de quem ainda vamos sabendo pelas notícias que saiu um disco, e mesmo assim ficamos na dúvida se saiu, ou se vai sair, e a Mariza, que sabemos que é viva porque as notícias não deram conta da sua morte, mas que entretanto decidiu-se que havia de ficar, progressivamente, esquecida. O fado também já não é o que era porque há necessidade de o exportar, porque cá não vende. Nem a rádio Amália conseguiu dignificar o fado a nível nacional, ficou-se pelo êxito em Lisboa, apesar da rádio estar online.
Portugal já nem vai à Eurovisão, Teresa Salgueiro e os Madredeus continuam a gravar discos e a atuar, só não sabemos é quando, nem onde, nem como. A música lijeira portuguesa deixou de ser conhecida, porque antes era chamada de pimba e hoje nem isso.

Resultados práticos: caíram as vendas, caíram as visualizações, e às vezes (já não é nem 3ª nem 4ª), fico a saber de nós, Portugal, por alguns sites estrangeiros que dão conta do lançamento recente de um disco que cá nem ouvi falar.
Infelizmente a luta continua: vamos destruir a música portuguesa até que não haja mais nenhum artista sem ser passível de ser exportado ou de gerar dinheiro, independentemente da qualidade dos intervenientes ou dos temas que elaboram. É triste que num país democrático se exerça uma interessante ditadura, que já não serve, como se alegava há alguns anos, os direitos de autor. Recentemente Rui Macena foi número 1, na lista de álbums mais vendidos em Portugal. Quando não se ouve Rui Macena nas rádios de um modo geral, quando não se ouve falar de Rui Macena na televisão em geral, é porque algo está tragicamente errado na música portuguesa e nas vendas de discos... coisas que a venda digital não resolve, por muito que eu ache que esse número 1 é perfeitamente merecido de um dos artistas que honra a criatividade por um lado, e a música instrumental por outro, tanto nacional como a nível global. Mas quando um artista que a mídia não exibe, que programas de segmento renomados (que nem sequer existem) não exibem, consegue ser número 1, é porque as vendas de um modo geral, caíram para valores, digo eu, há décadas não vistos.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Crónica Desportiva por José Agrela, número 17

O fim de época aproxima-se e vão se definindo campeões, subidas, descidas e finalistas de taças.
Assim, a semana começou com a segunda meia-final da Taça CTT, na qual o Benfica recebeu e venceu o Sporting de Braga por 2-1. Num jogo onde os atuais detentores desta Taça rodaram a equipa quase na totalidade, viram-se a perder relativamente cedo, com um golo de Rafa Silva. Rui Vitória viu-se obrigado a chamar Jonas para o lugar de um Renato Sanches muito desinspirado (entretanto já transferido para o Bayern de Munique). E a equipa mudou completamente, mandando no jogo e dando a volta ao encontro, com golos de Jonas e Jiménez, reeditando desta forma a final da Taça da Liga da época anterior, entretanto ganha pelo Benfica.
Nas competições da UEFA, ficaram definidos os finalistas da Liga dos Campeões. No Santiago Bernabéu, o Real levou de vencido os “milionários” do City. Num encontro em que foram completamente dominados pelos “merengues”, o golo acabou por ser um auto-golo de Fernando, após um cruzamento de Gareth Bale. Na outra semi-final, o Atlético de Madrid perdeu no Allianz Arena por 2-1, valendo-lhes o golo marcado fora (2-2 no agregado final), para garantir o remake da final disputada na Luz, em 2014. O encontro ficou marcado pelas duas grandes penalidades falhadas, uma para cada lado.
A Liga Europa também encontrou os dois protagonistas da final de Basileia. Como vem sendo habitual, o Sevilha, atual detentor do troféu, volta à final, a sua terceira consecutiva. Depois de ter empatado na Ucrânia a duas bolas, venceu o Shakhtar por 3-1. Os ucranianos ainda empataram a partida, no entanto os sevilhanos não deram hipótese e venceram, carimbando o passaporte para mais um jogo decisivo. Já os ”reds” de Liverpool venceram confortavelmente por 3-0, um “submarino amarelo” que afundou completamente.

Concluindo, teremos a final da Liga Europa a 18 de Maio em Basileia, entre Liverpool e Sevilha. A Liga dos Campeões tem a sua final agendada para 28 de Maio, no Giuseppe Meazza, em Milão e oporá Real Madrid e Atlético de Madrid.
Por cá, disputou-se a 33ª jornada, que deu o apuramento, do Arouca para a Liga Europa da próxima temporada. Nas contas do título nada se alterou, já que Benfica e Sporting venceram os seus encontros. Os “leões” venceram facilmente o Setúbal por 5-0 em Alvalade, mostrando que querem e ainda podem chegar ao título.
O Benfica também venceu nos Barreiros, ao Marítimo por 2-0, num jogo onde se viu privado bastante cedo de Renato Sanches por cartão vermelho, consequência de dois cartões amarelos vistos no espaço de dez minutos. A equipa uniu-se e apoiada por um estádio maioritariamente vermelho, foi empurrada para a vitória, que apareceu no segundo tempo por Mitroglou e Talisca, num livre superiormente marcado.
Nos outros encontros, destaque para o União da Madeira que perdeu no Bessa com um golo caricato, já que Gudiño, o guardião emprestado pelo FC Porto, atrapalhou-se com a bola, após receber a bola atrasada de um colega. Este resultado, aliado à estrondosa vitória do Tondela em Paços de Ferreira, deixa tudo em aberto, quanto ao clube que vai acompanhar a Académica à Liga Ledman. Os “estudantes” perderam a sua última hipótese de ainda poderem lutar pela permanência, ao empatar com o Sporting de Braga a zero.
Concluindo, a luta pela permanência será a três, com o União da Madeira, o Tondela e a desilusão Setúbal, que se vê metido nestes “assados”.
Já a luta pela Liga Europa, definiu o Arouca como um dos representantes lusos nesta competição na próxima época. Com as derrotas de Rio Ave e Paços de Ferreira, os arouquenses, um pouco à semelhança do Leicester na Inglaterra, festejaram o apuramento de “sofá”. Para a derradeira jornada, Estoril, Rio Ave e Paços de Ferreira vão esgrimir argumentos para ver quem fica a última vaga.

No futebol internacional, destaque para o Atlético de Madrid, que perdeu em casa do relegado Levante e “saltou” do comboio do título, deixando Real Madrid e Barcelona na discussão.
Finalmente, na Holanda, Ajax e PSV lutaram até ao último minuto pelo título, com este a sorrir aos homens de Eindhoven, já que os rivais empataram incrivelmente com o De Graaffschap, penúltimo classificado. Futebol cheio de emoção!

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Crónica Desportiva por José Agrela, número 16

Arrancaram as meias-finais das competições europeias. Na Liga dos Campeões, o Real Madrid, sem Ronaldo, foi a Manchester empatar com os “citizens”. Num jogo muito fechado e com poucas oportunidades de golo, a melhor oportunidade pertenceu a Pepe, que rematou na cara de Joe Hart, com este a fazer a mancha. Assim, os “merengues” conseguiram trazer um nulo da terra de Sua Majestade, que mesmo sendo um resultado positivo, não deixa de ser perigoso.
Em Madrid, no Vicente Caldéron, o Atlético venceu a equipa de Pep Guardiola, com um golo de Saúl Ñiguez aos 11’. Num jogo defensivo muito consistente e saindo só pela certa, os “colchoneros” emperraram completamente o carrossel alemão, que só conseguiu criar perigo em remates de fora da área, um dos quais a bater com estrondo no travessão da baliza defendida por Oblak, ex guardião do Benfica. Deste modo, as equipas vão para a 2ª mão com uma ligeira vantagem das equipas espanholas, porém nada está decidido.
Já na Liga Europa, os “reds” de Liverpool enfrentaram o “submarino amarelo” Villarreal. Num jogo relativamente repartido, com a posse de bola idêntica, os comandados de Jurgen Klopp até remataram mais que o adversário, no entanto uma desatenção defensiva no minuto 90’+2 deitou tudo a perder. Adrian Lopez, o mesmo que passou sem honra nem glória pelo FC Porto, aproveitou deficiente marcação adversária para colocar os espanhóis em vantagem. Assim, a eliminatória ficou mais complicada para o clube da cidade dos “Beatles”.
Em Lviv, o Shakhtar viu-se a perder bastante cedo com o actual detentor da Liga Europa. Aos 6’, Vitolo colocou os sevilhanos a vencer mas a reacção não se fez esperar e 17 minutos depois, os anfitriões chegaram ao empate por Marlos e pouco depois deram a cambalhota no marcador, chegando ao intervalo a vencer. Porém, os actuais detentores da competição chegaram ao empate a duas bolas, numa grande penalidade convertida por Gameiro, ficando tudo por se clarificar na Andaluzia.
No nosso escalão maior, num encontro que ficou marcado pela expulsão de Sérgio Conceição, o Benfica teve as honras de abrir a jornada, frente aos vimaranenses. Num jogo pouco conseguido pelos “encarnados”, valeu um livre bem marcado por Gaitan, a que Jardel respondeu afirmativamente de cabeça para o fundo das redes defendidas por Miguel Silva, segurando a liderança que continua sendo ameaçada pelos rivais do outro lado da Segunda Circular.

Sporting esse, que foi ganhar categoricamente ao Dragão a um Porto que é uma sombra daquilo que já foi. Os “leões” entraram a mandar no jogo e marcaram ainda antes da meia-hora pelo inevitável Slimani. Os”axuis-e-brancos” ainda responderam por Herrera, na conversão de uma grande penalidade, altamente duvidosa. Mas o avançado argelino voltou a facturar ainda antes do intervalo, de cabeça, após centro de Bryan Ruiz. No segundo tempo, o FC Porto pode queixar-se de uma grande penalidade não assinalada a seu favor, ainda com o resultado em 2-1. Mas Bruno César, o ”chuta-chuta”, acabou por fixar o resultado em 3-1, com (mais) uma grande colaboração de Casillas.
Assim, as coisas continuam iguais no topo da classificação, com a luta a continuar dentro e fora das quatro linhas.
Nos outros jogos, destaque para Boavista, que com o empate em Moreira de Cónegos, garantiu praticamente a manutenção. Já o União da Madeira, ao vencer a Académica por 3-1, não garantiu a manutenção, no entanto, deu um passo importante rumo a esse objectivo. Viu-se a ganhar por 2-0 e o fantasma pairou sobre a cabeça de muitos adeptos, por já ter estado naquela posição num passado bem recente. Mas os madeirenses souberam controlar a partida e vencer com a margem de dois golos.
Lá por fora, destaque para a equipa de “tostões” do Leicester que venceu a Premier League num verdadeiro conto de fadas. Contra os verdadeiros colossos financeiros de Manchester City e Chelsea, principalmente, Ranieri construiu um grupo humilde e fez saltar para a ribalta jogadores desconhecidos que, hoje em dia, valem milhões.
Finalmente, um apontamento para o Estrela Vermelha de Belgrado na Sérvia que se tornou campeão, com Hugo Vieira (ex-Gil Vicente e Benfica) em plano de evidência.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Crónica Desportiva por José Agrela, número 15

A jornada 31 da Liga definiu os clubes que terão acesso à Champions League da próxima época. Benfica e Sporting terão acesso directo à Liga milionária do próximo ano e o Porto terá que jogar o playoff para chegar aos tão desejados euros que em muito equilibram os orçamentos dos clubes que nela participam.
E nesse particular, o FC Porto passou pelo mesmo calafrio que os “encarnados”, ou seja, viu-se a perder antes da meia hora de jogo no Calhabé. É como era conhecido antigamente o reduto dos “estudantes”. Um livre directo superiormente marcado por Pedro Nuno, colocou a Briosa em vantagem, mas Ruben Neves empatou a contenda na “mesma moeda”, com um golo de antologia, ainda antes do intervalo. Já depois do intervalo, os “dragões” vieram para cima e conseguiram o golo da vitória, num lance onde o guardião conimbricense pareceu mal batido. Assim, José Peseiro conseguiu o objectivo mínimo de assegurar o direito de disputar o acesso à Liga milionária da UEFA.

Os “encarnados” enfrentaram a maior dificuldade, teoricamente, que os separa do tricampeonato. Foram ao Estádio dos Arcos enfrentar um Rio Ave que deu poucas possibilidades ao Benfica de ser feliz. Com uma equipa a cortar todas as possíveis triangulações entre Pizzi, Gaitan e Jonas, o bicampeão teve sempre muitas dificuldades em encontrar o caminho da baliza durante a primeira parte. No segundo tempo, com as alterações tácticas introduzidas, os homens da Luz melhoraram um pouco, falhando três oportunidades consecutivas. Mas como já vem sendo hábito, Jiménez saltou do banco para resolver, fazendo lembrar a época de 2004/2005, em que Mantorras resolveu mutos problemas. Curiosamente usam o mesmo número, o 9.
Numa jogada em que André Almeida cruzou, André Villas-Boas desviou para a barra e o mexicano estava no lugar certo para cabecear para o fundo da baliza. Estava feito o resultado num jogo em que, em abono da verdade, os anfitriões nunca fizeram perigar a baliza de Ederson.
Os discípulos de Jesus venceram facilmente com dois golos antes dos primeiros vinte minutos, ao “aflito” União da Madeira. Os madeirenses apenas causaram algum perigo em jogadas individuais. Já Norton de Matos poupou alguns jogadores que estavam no limite da suspensão por amarelos, assumindo claramente que o jogo com a Académica na próxima jornada é que conta.

Assim, “leões” e “águias” continuam a luta pelo primeiro lugar separados por apenas dois pontos e que se arrasta há longas seis jornadas.
Nos outros jogos, Marítimo perdeu com o “europeu” Arouca por 2-1. Os forasteiros resolveram o jogo logo na primeira dúzia de minutos, com dois golos de bola parada, um na sequência de um canto e outro numa grande penalidade. A partir daí, os “verde-rubros” tentaram de todas as maneiras chegar ao golo, inclusive com duas substituições ainda na primeira meia hora. Mas depois de tanto porfiar, conseguiram o golo de honra, mas era tarde demais para chegar ao empate. Mesmo com a derrota, os madeirenses asseguraram a manutenção matematicamente.
Uns quilómetros mais acima, o Nacional da Madeira recebeu o Moreirense, a sua “besta negra”  (que venceram nas últimas três deslocações à Choupana) e mais uma vez, voltou a perder, com o tento a ser apontado aos dois minutos de jogo. Os “alvinegros” nunca foram capazes de chegar ao empate e continuam apenas a cumprir calendário, já sem metas europeias. Já os “cónegos” garantiram a manutenção, objectivo claramente assumido desde o início da época.
Num jogo de equipas “aflitas”, o Tondela foi vencer ao Bonfim e aumentou a série de jogos sem vencer dos “sadinos”. Os homens de Viseu conseguiram arrancar uma vitória ao minuto 85, com um golo de Pica que lhes abre perspectivas de manutenção no escalão maior.
Os “castores” venceram por 1-0, um Braga que continua confortavelmente instalado na 4ª posição, mas que ainda não está matematicamente assegurado. Um golo da nova “coqueluche” do futebol português, Diogo Jota, bastou para vencer os “arsenalistas”, que está a gerir a posição na tabela classificativa e já pensa na final da Taça de Portugal, frente ao FC Porto.
Já os “axadrezados” venceram o Belenenses (1-0) e deram um passo importante para fugir à despromoção. Um golo a fechar a primeira parte, apontado por Zé Manuel, foi suficiente para garantir três preciosos pontos.
Finalmente, Guimarães e Estoril empataram a uma bola com os vimaranenses a se adiantarem no placard, mas não conseguiram segurar a vantagem, com os “homens da linha” a empatarem a meio do segundo tempo. Era mais um jogo que pouco adiantava em termos classificativos.
Lá por fora, a Juventus tornou-se pentacampeã no “sofá”. O Nápoles entregou de bandeja o título depois da derrota com a Roma do “eterno” Totti. Depois do Olympiakos e PSG tornarem-se campeões (dos campeonatos com maior visibilidade em Portugal) dos respectivos países, foi a vez da “vecchia signora” assegurar o “scudetto” pela quinta vez consecutiva.

sábado, 23 de abril de 2016

Internacional: 13 mortos nos Estados Unidos, todos vítimas de armas de fogo

por Carlos Bonaparte em 23-04-2016 às 12:46

Foi nesta madrugada que os crimes aconteceram. Primeiro no estado da Georgia, no condado de Columbia. Cinco pessoas assassinadas a tiro enquanto dormiam, pertencentes a duas famílias. Sobre este caso, o cherife do condado de Columbia, onde aconteceu este incidente, explicou que provavelmente este caso estará relacionado com disputas domésticas. Um dos indícios é a proximidade geográficadas duas famílias e os terrenos que estas possuíam.
O segundo crime, todavia, foi mais anormal, dados os seus contornos. Da mesma forma, 8 pessoas, todas pertencentes à mesma família, foram encontradas mortas no condado de Pike, no estado do Ohio. À exceção de um adolescente de 16 anos, todos eram maiores de idade... mas neste caso houve 3 sobreviventes, o que leva as autoridades a crer num ajuste de contas. As vítimas mortais foram baleadas na cabeça enquanto dormiam, segundo aponta o cherife do condado de Pike, Charles Reader.
Os sobreviventes são 3 crianças, uma de 4 dias, outra de 6 meses e outra de 3 anos.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Crónica desportiva por José Agrela, número 14

A última semana trouxe-nos os Quartos-de-Final da Liga dos Campeões e da Liga Europa. Infelizmente, para nós, portugueses, as equipas lusas foram eliminadas.

O Benfica, que vinha com uma desvantagem de um golo da primeira volta, fez uma boa exibição frente ao Bayern de Munique. Ainda se adiantou no marcador por Raul Jimenez, mas a frieza alemã veio ao de cima e Arturo Vidal (novamente ele) empatou a partida e sentenciou praticamente a eliminatória. No segundo tempo, o Bayern ainda marcou um segundo golo por Thomas Muller, mas Talisca num livre superiormente apontado, estabeleceu o resultado final em 2-2. É de referir que novamente ficou provado o quão pequeno Portugal é na Europa do futebol. Num lance claro de expulsão de um jogador bávaro, o árbitro optou por mostrar apenas o cartão amarelo. Isto nunca mudará…
Nos outros jogos desta competição, Ronaldo voltou aos seus bons momentos e “carregou” o Real Madrid até às Meias-finais, com um “hat trick”. Com o terceiro golo, Ronaldo demonstrou toda as sua raça e vontade, contando também com a colaboração da barreira do Wolfsburgo que ”abriu” uma avenida para a bola passar.
Já o Barcelona continuou a travessia no deserto e viu-se afastado da fase seguinte por um Atlético Madrid feito à imagem do seu mister, Diego Simeone.
Sempre muito aguerridos, os “colchoneros” , mesmo com menos um jogador a partir dos 35’ não deram hipótese a um Barça que vive um dos piores momentos dos últimos anos. Antoine Griezmann acabou por ser a figura do jogo ao apontar os dois golos.
Em Manchester, os “citizens” que já traziam uma vantagem por empatar em Paris a duas bolas, venceram por 1-o e dando-se ao luxo de falhar uma grande penalidade.
Os parisienses até tiveram mais bola, mas os locais foram sempre mais acutilantes.
Assim, teremos Manchester City-Real Madrid e Atlético Madrid-Bayern Munique com a primeira mão a ser disputada a 26 e 27 de Abril.
Na Liga Europa, o Braga não foi capaz de travar o poderio do Shaktar Donetsk e foi “cilindrado” em Lviv (devido à guerra que grassa em Donetsk). Estatisticamente, o jogo até foi equilibrado, mas os ucranianos foram letais na hora de rematar, marcando quatro golos… em três remates que fizeram enquadrados com os postes. A explicação é simples: Ricardo Ferreira, central bracarense que esteve em dia não, fez dois autogolos.
Nos outros encontros desta fase, Liverpool e Borussia Dortmund protagonizaram, provavelmente, o jogo do ano. Aos dez minutos, os alemães já venciam por 2-0., dando toda a ideia que facilmente resolveriam a questão. Puro engano! Logo no reinício após o intervalo, os homens da cidade dos Beatles reduziram para a margem mínima. Mas as coisas não ficaram por aqui. Marco Reus voltou a aumentar a vantagem para dois golos. A partir daqui, só deu Liverpool com o último golo a ser apontado aos 90’ +1 que deu a passagem às Meias-finais.
O atual detentor do troféu, Sevilha, tremeu mas não caiu. Depois de ter vencido em Bilbau, tudo levaria a pensar que seria fácil. Mas no entanto, os homens do País Basco surpreenderam e venceram por 2-1 também, arrastando a eliminatória para um prolongamento que acabou por não resolver nada. E nas grandes penalidades, o Sevilha, mais experiente nestas andanças, não tremeu e venceu uma eliminatória muito discutida.

No outro encontro, o Villarreal venceu em Praga, ao Sparta por 4-2, concluindo com um somatório de 6-3 no conjunto das duas mãos.

Assim, nas Meias-finais teremos Villarreal-Liverpool e Shakhtar-Sevilha, com a primeira mão marcada para 28 de Abril.
A nível doméstico, o Benfica venceu mas não se livrou de um grande susto. Venceu o Vitória de Setúbal por 2-1. No entanto, aos 13 segundos os “encarnados” já perdiam por 1-0, num lance em que os dois laterais não ficaram isentos de culpas. Depois com uma meia hora de sonho, os bicampeões nacionais deram a volta ao encontro, com golos do “inevitável” Jonas e Jardel. A partir daqui, estranhamente, os homens da Luz caíram de produção e o jogo caiu numa toada de “deixa andar”. E foi nessa espécie de sonolência colectiva que os sadinos estiveram à beira de empatar, com Ederson a mostrar créditos.
O outro candidato ao título, Sporting venceu pela margem mínima, num jogo polémico. O golo dos leões deixa no ar a sensação de fora de jogo. No entanto, num lance posterior, Teo Gutiérrez viu um golo anulado que parecia em posição legal. Em suma, o árbitro assistente cometeu dois erros para fazer justiça.
No Dragão, assistiu-se ao regresso do “velho” FC Porto. Com uma grande entrada em jogo, os “azuis-e-brancos” depressa arrumaram o jogo, gerindo-o a seu belo prazer. Com a entrada de Ruben Neves e André Silva no onze, ficou demonstrado que Pinto da Costa também tem bons valores jovens.
Nos restantes jogos, destaque para o União da Madeira que voltou a marcar passo, depois de estar a vencer por 2-0 em casa. O intervalo trouxe uma equipa amorfa e adormecida que acabou por ver fugir 3 pontos, com a derrota por 4-3.
O Marítimo continuou o seu caminho de altos e baixos, desta vez sendo um ponto alto, ao vencer um Guimarães desnorteado e que se viu a jogar com menos um elemento, a partir do 12º minuto, por 3-0. No Restelo, a Académica conseguiu um precioso ponto que pode ser decisivo nas contas finais, na luta pela permanência. Já o Tondela, interrompeu a sua boa série de três jogos sem perder e viu-se derrotado em Braga por 3-0, apagando, muito possivelmente, a última esperança de manutenção. O Arouca empatou com o Rio Ave a zero, num jogo que manteve tudo como antes do início do jogo, ou seja, continuam em 5º e 6º na classificação, com o mesmo número de pontos. Na Amoreira, o tranquilo Estoril venceu um Boavista aflito, com um autogolo do defesa Vinicius a dois minutos dos 90.

Destaque internacional para o Barcelona e pelas piores razões. Nos últimos três jogos de La Liga perdeu… três! Isto deixa o campeonato vizinho ao rubro com os “bluegrana” empatados com o Atlético de Madrid no topo e Ronaldo & Companhia à espreita, a apenas um ponto. Promete!

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Crónica desportiva por José Agrela, número 13

Depois de uma semana de interregno, para jogos particulares da selecção (e por motivos pessoais), voltou a Liga NOS. E regressou logo com um Benfica-Braga, que podia alterar o topo da tabela classificativa. E os visitantes fizeram por isso, já que logo no primeiro minuto, Wilson Eduardo cabeceou uma bola ao poste esquerdo da baliza à guarda de Ederson. Estava dado o mote para o que seria o primeiro quarto de hora de jogo, com os “arsenalistas” por cima na partida e um Benfica apático a não se entender com a forma de jogar adversária. E enquanto os “encarnados” andavam à deriva, o Braga aproveitou para voltar a colocar em perigo o último reduto “encarnado” com um chapéu que saiu a centímetros do poste direito. No entanto, a partir daí, o Benfica pegou no jogo e aproveitando uma saída de bola curta, Gaitán ganhou a bola e assistiu Mitroglu para o primeiro golo. E a partir daqui, os comandados de Paulo Fonseca “desapareceram” do jogo, com os líderes a dominarem o jogo por completo e a avolumarem o score até aos 3-0 ao intervalo, com Jonas a marcar de grande penalidade e Pizzi a rematar forte e rasteiro, após assistência de Jonas… com as costas! No segundo tempo, foi o controlar do jogo por parte dos anfitriões com Mitroglu a voltar a faturar e Samaris a fechar a contagem para o lado encarnado. Pedro Santos fechou o placard na conversão de uma grande penalidade (a primeira assinalada contra o Benfica num ano).
No Dragão, aconteceu “história”, com a quebra de um recorde negativo para os “azuis-e-brancos”. Até esta jornada, nunca tinham perdido em casa com o último classificado. Mas o Tondela quebrou este recorde que o Porto detinha, deixando o seu presidente “envergonhado”, como ele próprio disse numa entrevista.
E não é para menos, já que o FC Porto está longe da equipa que “aterrorizava” os adversários, especialmente no Dragão. E acabou por sucumbir aos 59’, com um remate em arco de Luís Alberto, reagindo com muito coração, mas pouca razão.
No Restelo, o Sporting “cilindrou” o Belenenses por 5-2. Azuis que têm um treinador, Júlio Velázquez, com uma visão muito romântica do futebol e não percebeu ainda o que é a Liga Portuguesa. Tenta jogar o jogo pelo jogo, olhos nos olhos, mas com os “grandes” acaba por ser suicídio e acabou goleado como das vezes anteriores.

Esta foi, resumidamente, a jornada anterior, em relação aos clubes que mais adeptos arrastam.
Já nesta jornada, deu-se a segunda derrota consecutiva do FC Porto (algo que já não acontecia desde a época 2008/2009 para a Liga), desta feita com o Paços de Ferreira por 1-0. Num jogo em que os “dragões” dominaram em todos os aspetos do jogo, não foram capazes de serem eficazes. Com o guarda-redes pacense, Defendi, a defender tudo o que havia para defender, os visitantes viram as esperanças de serem apurados diretamente para a Liga dos Campeões, goradas.
Assim, veem o líder e bicampeão nacional a doze pontos de diferença praticamente irrecuperáveis.

Líderes esses, que continuam a sua marcha triunfal rumo ao tricampeonato (assim espera a massa associativa). No entanto, já se percebeu que não será nada fácil lá chegar. Em Coimbra, viram-se a perder bastante cedo, aos 17’, com um golo de Pedro Nuno, que aproveitou um péssimo corte de Eliseu. A partir daí, só deu Benfica, desperdiçando oportunidades umas atrás das outras, umas vezes por oposição de Trigueira, outras por falta de pontaria encarnada. Até que Pizzi arrancou um grande cruzamento da direita que encontrou a cabeça de Mitroglu que não desperdiçou a oportunidade de empatar o encontro. O jogo não mudou de cariz e os “estudantes” continuaram a defender com as suas duas linhas de cinco homens à frente de Trigueira. E assim continuou até Raúl Jiménez saltar do banco, para cinco minutos depois, receber um cruzamento de André Almeida, novamente da direita, com uma grande receção e atirar forte sem hipótese para Trigueira. Acabou aí a resistência da Académica e, por consequência, o antijogo que foi uma constante.

Já o Sporting, o outro real candidato ao título neste momento, venceu confortavelmente por 3-1, o Marítimo. Os “verde-rubros” até entraram melhor no jogo chegando à área contrária por algumas vezes, mas os “leões” de Alvalade foram mais eficazes e marcaram ao acabar a primeira parte pelo “mal amado” Téo Gutiérrez, com alguma sorte à mistura. No segundo tempo, as coisas foram mais simples com William Carvalho e o “inevitável” Slimani a aumentarem o score, com Ghazaryan a reduzir, mas pouco havia a fazer. Assim, mantém-se tudo igual na luta pelo título… até ver!
Nos restantes jogos da jornada, o União da Madeira perdeu uma oportunidade de ouro frente ao Tondela para fugir à “linha de água”. Foi a casa do “lanterna vermelha” Tondela perder por 1-0 com um autogolo de Soares. Apesar de ter dominado a maior parte do jogo, nunca foi capaz de fazer aquilo que se pede… golos.

A outra equipa da Madeira, o Nacional arrancou uma goleada frente ao Estoril por 4-1, voltando à famosa “chapa 4” da Choupana, arredada a alguns tempos daquele reduto. A equipa anfitriã marcou relativamente perto do fim e do primeiro período e abriu o segundo da mesma maneira. A partir daí, foi o avolumar do resultado até ao placard final, sem nunca ter posto em perigo a vitória.
Em Braga, a equipa local não conseguiu bater o Moreirense, empatando a uma bola. Apesar do grande domínio bracarense a todos os níveis, viu-se a perder após o reatamento da segunda parte. A partir daí, Stefanovic defendeu tudo até ao limite, incluindo uma grande penalidade. Mas água mole em pedra dura, tanto dá, até que fura e aos 94’, o golo apareceu por Boly, num cabeceamento indefensável para o homem que tinha defendido tudo.
No Bessa, o Boavista deu mais um passo rumo à manutenção, empatando a zero, com o “europeu” Arouca. Falhou uma grande penalidade, mas mesmo assim conseguiu um ponto fundamental nos objetivos do clube.
O Setúbal continua a sua péssima segunda volta e voltou a perder, desta vez por 1-0 em casa. Num jogo relativamente equilibrado, os homens do Restelo foram mais felizes e marcaram por Ortuno à passagem do 78º minuto.

A jornada fechou em Vila do Conde, com o Rio Ave a bater o Vitória de Guimarães, que leva já nove jogos sem vencer. Dois golos na primeira parte bastaram para levar de vencida um Vitória sem chama, longe do que já se viu esta época.
A nível internacional, destaque para os Quartos-de-Final da Liga dos Campeões onde houve surpresas. O Benfica, talvez contra todas as expectativas, manteve a eliminatória em aberto com o Bayern. Perdeu por 1-0 e fez um jogo que surpreendeu, inclusivamente os bávaros. Já o colosso Real Madrid perdeu frente ao Wolfsburgo por 2-0 e terá uma tarefa gigantesca para passar a eliminatória. Em Barcelona, Messi e companhia venceram por 2-1 o sempre imprevisível Atlético de Madrid e terão tarefa complicada na 2ª mão. Finalmente o PSG que deixou fugir uma vantagem, depois de ter estado em vantagem por 2-1. Assim, adivinham-se grandes emoções nos quatro encontros da 2ª mão.

Na Liga Europa, o Braga comprometeu as suas aspirações ao perder por 2-1 na Pedreira. Num jogo em que até esteve por cima, o Shakhtar Donetsk foi cínico e venceu, jogando “à italiana”. Assim, as coisas estão muito difíceis para os “arsenalistas”. Nos outros encontros, Jurgen Klopp voltou a Dortmund e saiu de lá em vantagem com o seu Liverpool, ao empatar a uma bola. O Bilbau viaja até Sevilha com uma desvantagem mínima por 2-1 e o Sparta de Praga recebe o Villarreal para reverter o mesmo resultado. Tudo por decidir, portanto.
Finalmente, como nota final, destaque para o Barcelona que leva duas derrotas consecutivas em La Liga, passando de uma vantagem de 10 para 4 pontos em relação ao Real Madrid e três em relação ao Atlético de Madrid.